Estudo Bíblico
Com Sede na Hora Sexta
Jesus pede água a uma samaritana antes de oferecer qualquer coisa. Uma leitura atenta de João 4 que confere a estrada, o poço, o monte e a história da mulher com o que o texto de fato diz.
Texto bíblico João 4:1–42 · 2 Reis 17:24–41 · Deuteronômio 18:15–18 · Jeremias 2:13 · João 7:37–39 · João 19:14 · João 19:28
Jesus pede água antes de oferecer água.
É essa a ordem dos acontecimentos em João 4. Um viajante cansado se senta junto a uma fonte perto do meio-dia. Uma mulher chega para tirar água. E a primeira frase de uma das conversas a sós mais longas dos Evangelhos é um pedido: “Dá-me de beber.”
Pelo que João conta, ele nem bebe. No fim do capítulo uma cidade samaritana atravessou os campos para encontrá-lo, e os discípulos ainda estão tentando descobrir quem trouxe comida para ele.
Quase todo mundo chega a esse texto com a história pronta: uma mulher de passado escandaloso, que ia ao poço ao meio-dia para fugir das outras, desmascarada e depois perdoada. Uma parte disso está na página. Boa parte não está. A pergunta deste estudo é o que João de fato escreveu.
“E foi necessário passar por Samaria”
Jesus deixa a Judeia e volta para a Galileia, e João acrescenta uma frase curta: “E foi necessário passar por Samaria” (4:4).
Costuma-se dizer que judeus piedosos sempre davam a volta pelo vale do Jordão para evitar Samaria, e que por isso o “foi necessário” só pode indicar um compromisso marcado por Deus. A conclusão talvez esteja certa. A premissa, não. Josefo diz que os galileus costumavam atravessar o território samaritano quando subiam à cidade santa para as festas (Antiguidades 20.118), e que quem tinha pressa precisava ir por ali, porque por essa estrada se chegava da Galileia a Jerusalém em três dias (Vida 269). Era o caminho normal. Seguro, não era: na mesma passagem das Antiguidades, Josefo conta que moradores de uma aldeia na divisa de Samaria mataram vários peregrinos galileus, por volta do ano 50.
O “foi necessário”, portanto, tem um sentido geográfico simples. Tem também um sentido joanino. O verbo grego é edei, “era preciso”, e João o usa com peso. A Bíblia Livre o traduz de jeitos diferentes, o que esconde a repetição: “assim deve o Filho do homem ser levantado” (3:14); “a estas também me convém trazer”, diz Jesus sobre as outras ovelhas (10:16). E neste mesmo capítulo o verbo volta duas vezes. A mulher fala do lugar “onde se deve adorar” (4:20), e Jesus responde que os que adoram a Deus devem adorá-lo “em espírito e em verdade” (4:24). João não diz qual das duas necessidades tinha em mente no versículo 4. O vocabulário dele sugere que ele não separaria uma da outra.
Vizinhos de memória longa
A tradição judaica explicava a origem dos samaritanos por 2 Reis 17. Depois que a Assíria destruiu o reino do norte, o rei “trouxe gente de Babilônia, e de Cuta, e de Hava, e de Hamate, e de Sefarvaim, e os pôs nas cidades de Samaria” (17:24), e esses povos “temiam ao SENHOR, e honravam a seus deuses” (17:33). Josefo reconta a história, chama os samaritanos de cuteus e alfineta: quando os judeus vão bem, os samaritanos se dizem parentes deles, descendentes de José; quando vão mal, negam qualquer parentesco (Antiguidades 9.291).
Os samaritanos se entendiam como descendentes das tribos do norte e tinham os cinco livros de Moisés como Escritura. A mulher deste capítulo chama Jacó de “nosso pai” (4:12). Quanto da ascendência deles era israelita é assunto ainda debatido. A hostilidade, não.
No monte Gerizim, o monte da bênção de Deuteronômio 11:29, havia um santuário. Josefo liga a fundação dele à época de Alexandre, o Grande, mas as escavações dirigidas por Yitzhak Magen datam o primeiro recinto sagrado de meados do século V a.C. No fim do século II a.C., o governante judeu João Hircano tomou Siquém e o Gerizim e destruiu o templo (Antiguidades 13.254-256). O relato de Josefo aponta para cerca de 128 a.C.; Magen argumenta, pelas moedas achadas no local, que a destruição foi por volta de 110 a.C. De um jeito ou de outro, quando Jesus se sentou junto à fonte, o templo samaritano era ruína havia mais de um século, e quem o arruinou foi um rei judeu.
As feridas iam nos dois sentidos. No começo do primeiro século, segundo Josefo, samaritanos entraram escondidos no templo de Jerusalém durante a Páscoa e espalharam restos humanos nos pórticos (Antiguidades 18.29-30). Uma aldeia samaritana não recebeu Jesus “porque seu rosto demonstrava que ele ia para Jerusalém” (Lucas 9:53). Em João 8:48, os adversários de Jesus o insultam assim: “és samaritano, e tens o demônio”. E a Mishná, compilada por volta do ano 200, trata as meninas samaritanas como impuras desde o berço (Nidá 4:1). A regra é posterior aos Evangelhos, mas mostra até onde a atitude podia chegar.
Uma fonte entre dois montes
Sicar não aparece em nenhum outro lugar da Bíblia. João a situa “junto à propriedade que Jacó deu a seu filho José”, evocando Gênesis 33:19 e Josué 24:32. A antiga Siquém é identificada com Tell Balata, na borda leste da atual Nablus, na passagem entre o Gerizim e o Ebal. As escavações ali mostram uma cidade helenística que acabou no fim do século II a.C., o que combina com o relato de Josefo sobre Hircano. Os romanos fundaram Flávia Neápolis ali perto no ano 72.
Como Siquém provavelmente estava desabitada no tempo de Jesus, muitos identificam Sicar com a aldeia de Askar, a pouca distância a nordeste do poço. A identificação não é segura. Askar tem nascente própria, o que torna mais difícil explicar a caminhada da mulher. O roteiro de peregrinação cristã mais antigo que sobreviveu, de um viajante de Bordéus em 333, já distingue Siquém de Sicar e coloca Sicar a uma milha de distância.
Gênesis nunca diz que Jacó cavou um poço em Siquém. O local junto a Tell Balata é atestado por peregrinos do século IV e se encaixa na descrição de João, o que faz dele uma identificação razoável. Nenhuma camada escavada consegue dizer que aquele é o poço do patriarca.
O cenário ilumina o versículo 20. Quando a mulher diz “Nossos pais adoraram neste monte”, não precisa explicar de que monte está falando. O Gerizim domina o vale.
Um judeu pede ajuda a uma samaritana
“Dá-me de beber” atravessa várias linhas ao mesmo tempo. É um judeu falando com uma samaritana. É um homem sozinho com uma mulher que não conhece, e é isso, não o passado dela, que espanta os discípulos: eles “maravilharam-se de que falasse com uma mulher” (4:27). E ele teria de beber do vaso dela, já que, como ela mesma observa, “tu não tens com que a tirar” (4:11).
O comentário de João no versículo 9 aparece na Bíblia Livre como “os judeus não se comunicam” com os samaritanos. Não dá para tomar isso ao pé da letra, porque os discípulos acabaram de ir à cidade samaritana comprar comida. Em 1950, David Daube propôs que o verbo, synchraomai, significava “usar vasilhas em comum”, e a questão seria de pureza ritual. Mais recentemente, Gary Manning argumentou que a gramática não permite essa leitura e que, quando o objeto do verbo é uma pessoa, o sentido mais comum é “obter ajuda de”. Um judeu está pedindo ajuda a uma samaritana.
O debate segue aberto, mas qualquer opção deixa Jesus precisando de alguém que o povo dele mantinha a distância.
Fonte, poço, fonte
Jesus inverte o pedido. Se ela conhecesse o dom de Deus e quem estava pedindo, “tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (4:10).
Ela entende como qualquer pessoa daquele vale entenderia. Água viva era água corrente, de nascente ou de riacho, diferente da água acumulada e parada. A expressão vem do hebraico, mayim ḥayyim, e a Bíblia Livre a conserva: os servos de Isaque acham “um poço de águas vivas” (Gênesis 26:19), e o rito de purificação pede uma ave morta “sobre águas vivas” (Levítico 14:5). A Mishná, bem mais tarde, classifica as águas de purificação e coloca as águas vivas no topo (Micvaot 1:1-8).
Por isso a resposta dela é prática: “Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; de onde pois tens a água viva? És tu maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço?” (4:11–12).
Aqui a Bíblia Livre deixa ver algo que muitas traduções apagam. No versículo 6, João chama o lugar de pēgē, fonte: “ali estava a fonte de Jacó”. Na boca da mulher, nos versículos 11 e 12, vira phrear, um poço cavado. E Jesus retoma a primeira palavra: a água que ele dá “se fará nele fonte de água, que salte para vida eterna” (4:14). Ela pensa num buraco onde se desce o cântaro. Ele fala de uma água que sobe sozinha.
Jeremias já tinha dado peso a esse contraste: “deixaram a mim, que sou fonte de água viva, para cavarem para si cisternas, cisternas rachadas, que não retêm águas” (Jeremias 2:13). E o próprio João diz o que é a água viva. Na festa dos Tabernáculos, Jesus proclama que “rios de água viva correrão do interior de seu corpo”, e o evangelista explica: “ele disse isto do Espírito” (7:38–39).
O que o texto diz sobre ela
“Vai, chama a teu marido, e vem cá.” “Não tenho marido.” “Bem disseste: Marido não tenho. Porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isto com verdade disseste” (4:16–18).
Com essas frases, e com o “quase à hora sexta”, construiu-se uma biografia inteira. Vale conferir peça por peça.
A hora sexta, contada a partir do nascer do sol, é por volta do meio-dia. João não diz por que ela foi nesse horário, nem que estivesse fugindo de alguém. Gênesis 24:11 fala da tarde como a hora “em que saem as moças por água”, o que pode sugerir que o meio-dia era menos comum. Mas Gênesis 29:7 mostra pastores dando de beber ao rebanho num poço quando “ainda é cedo do dia”. A hora pode estar no texto por outro motivo, e a gente chega lá.
Cinco maridos é muita coisa, e Jesus trata disso como algo verdadeiro. Não é o mesmo que cinco divórcios por mau comportamento. No mundo jurídico judaico da época, o marido podia se divorciar da esposa, e a esposa não tinha como simplesmente se divorciar do marido. Doenças e partos encurtavam vidas o tempo todo. Lynn Cohick defende que uma sequência de viuvezes é mais provável do que uma série de escândalos, e que a situação atual dela pode ter muitas explicações comuns para a falta de um casamento formal. Não conhecemos em detalhe a lei matrimonial samaritana, e não conhecemos a história dessa mulher. João não conta.
O que ele mostra é o rumo da conversa. Não há repreensão na passagem, nem declaração de perdão. Isso não prova que ela fosse inocente; mostra onde está o interesse de João. Duas vezes Jesus diz que ela falou a verdade. Ela reconhece um profeta e levanta a questão religiosa mais disputada entre os dois povos. De volta à cidade, as pessoas a escutam, e muitos creem “pela palavra da mulher, que testemunhava” (4:39). Mulher rejeitada por todos dificilmente é ouvida assim.
O resumo que ela mesma faz: “um homem que me disse tudo quanto tenho feito” (4:29). Ela descreve ter sido conhecida.
Alguns estudiosos, entre eles Craig Koester, leem os cinco maridos também como a história de Samaria, os cinco povos que a Assíria instalou ali. Josefo de fato conta cinco nações. Só que 2 Reis lista mais de cinco deuses para esses povos (17:30–31), e João não dá nenhum sinal de alegoria. A ideia pode iluminar os temas do capítulo. Não deve apagar uma mulher de carne e osso.
Neste monte ou em Jerusalém
“Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (4:19–20).
Muita gente chama isso de desconversa. O texto não diz isso, e faz igual sentido ler ali a pergunta óbvia para um profeta, com as ruínas do templo do povo dela lá em cima.
Jesus diz duas coisas que andam juntas. A primeira: “a salvação vem dos judeus” (4:22). Ele não finge que as duas tradições se equivalem. A segunda: “a hora vem, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade” (4:23). A pergunta sobre qual monte está prestes a ser ultrapassada.
“Em espírito e em verdade” costuma ser reduzido a “com sinceridade”. Para João, é pouco. Neste Evangelho o Espírito faz nascer de novo (3:5) e seria dado quando Jesus fosse glorificado (7:39). Jesus chama a si mesmo de “a verdade” (14:6). E, quando falou do templo, “ele falava do Templo de seu corpo” (2:21). A adoração em espírito e em verdade passa por Aquele que está falando com ela, pelo Espírito que ele vai dar. O novo lugar santo é uma pessoa.
Repare também em quem está procurando: “o Pai busca a tais que o adorem” (4:23).
“Eu sou o que contigo falo”
“Eu sei que o Messias vem (que se chama o Cristo); quando ele vier, todas as coisas nos anunciará” (4:25).
A forma grega Messias só aparece duas vezes no Novo Testamento, aqui e em João 1:41. A esperança dela, porém, provavelmente tem feição samaritana. Com apenas os livros de Moisés como Escritura, os samaritanos não esperavam um filho de Davi. Escritos samaritanos posteriores falam do Taheb, geralmente entendido como “aquele que volta” ou “o restaurador”, o profeta semelhante a Moisés de Deuteronômio 18:18: “ele lhes falará tudo o que eu lhe mandar”. O “todas as coisas nos anunciará” dela fica muito perto desse versículo.
Cabe uma cautela. Os textos que usam o título Taheb são da Antiguidade tardia ou posteriores, e não dá para supor que a doutrina completa já existisse no primeiro século. Há, contudo, evidência do primeiro século de uma esperança ligada a Moisés e ao Gerizim. Por volta do ano 36, um homem reuniu samaritanos armados prometendo mostrar-lhes os vasos sagrados que Moisés teria enterrado no monte, e Pilatos mandou cavalaria e infantaria contra eles (Antiguidades 18.85-87).
A resposta de Jesus é curta: “Eu sou o que contigo falo” (4:26). O grego diz egō eimi, ho lalōn soi. No contexto, o sentido imediato é “sou eu esse de quem você fala”, e a interpretação precisa começar daí. Mas é a primeira vez em João que Jesus diz egō eimi, e a expressão vai ganhando peso: “Sou eu, não temais”, sobre as águas (6:20); “antes que Abraão fosse, eu sou” (8:58); e na prisão, quando ao ouvir “Eu sou” os soldados “voltaram para trás, e caíram em terra” (18:6).
Um capítulo antes, Nicodemos, mestre de Israel, veio “de noite” (3:2) e saiu de cena sem resposta registrada. Uma samaritana sem nome encontra Jesus ao meio-dia e ouve a revelação mais clara feita até ali.
Pão da cidade, gente da cidade
Os discípulos voltam. Ela deixa “seu vaso de água”, vai à cidade e diz: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; por acaso não é este o Cristo?” E eles “saíram, pois, da cidade, e vieram a ele” (4:28–30).
Enquanto isso: “Rabi, come.” “Uma comida tenho que comer, que vós não sabeis.” “Por acaso alguém lhe trouxe de comer?” (4:31–33). É o mesmo mal-entendido que ela teve com a água, contado com certo humor. Eles foram a Sicar e voltaram com pão. Ela foi a Sicar e voltou com gente.
“Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou”, diz Jesus, e aponta os campos: “já estão brancas para a ceifa” (4:34–35). A Bíblia Livre conserva o “brancas” do grego. Se os “quatro meses até que venha a ceifa” são um provérbio ou uma referência à estação, os estudiosos discutem. A montagem da cena é clara: o versículo 30 acabou de pôr os samaritanos na estrada, vindo na direção dele. Se os discípulos levantarem os olhos, é isso que vão ver.
Depois: “outros trabalharam, e vós entrastes no trabalho deles” (4:38). Já se propôs que esses “outros” sejam os profetas, João Batista, Jesus ou até a mulher. O grego dá uma pista que o português não mostra. O verbo por trás de “trabalharam” é kopiaō, e fora deste versículo João só o usa uma vez: no versículo 6, onde Jesus está “cansado do caminho”. O cansaço junto à fonte fazia parte do trabalho.
O que a maioria dos leitores não percebe
A hora sexta aparece duas vezes em João. Aqui, com Jesus cansado pedindo água, e no julgamento, “quase à hora sexta” (19:14), pouco antes de ele dizer na cruz: “Tenho sede” (19:28). João não liga as duas cenas explicitamente. O eco está lá.
A cena tem forma de noivado. O servo de Abraão encontra Rebeca junto a um poço (Gênesis 24), Jacó conhece Raquel junto a um poço (Gênesis 29), Moisés se senta junto a um poço em Midiã e acaba recebendo Zípora (Êxodo 2:15–21). Robert Alter chamou isso de cena-tipo: um homem em terra estrangeira, uma mulher no poço, água tirada, alguém que corre para casa com a notícia, um casamento. João 4 tem quase todos os elementos, e o nome na boca da mulher é Jacó. O casamento não vem. Vem uma cidade que crê, um capítulo depois de João Batista ter falado de Jesus como o esposo (3:29).
O título mais amplo sai de quem menos se esperava. Os samaritanos dizem à mulher que já não creem só pelo que ela disse, “porque nós mesmos temos o ouvido”, e confessam que Jesus é “o Salvador do mundo” (4:42). Nos Evangelhos, a expressão só aparece aqui. A Bíblia Livre traz “este é o Cristo, o Salvador do mundo”, seguindo manuscritos que acrescentam “o Cristo”; vários dos manuscritos mais antigos trazem apenas “o Salvador do mundo”. Koester observa que títulos parecidos eram dados a imperadores romanos. Seja como for, João põe a confissão mais abrangente destes capítulos na boca de um povo de origem contestada e templo em ruínas, e Jesus fica “ali dois dias” com eles.
Para quem lê hoje
Comece pelo que se fez com ela. A versão herdada dessa mulher foi montada com lacunas preenchidas pela pior explicação disponível. Quase toda igreja tem alguém cuja história só se conhece por alto. O texto não autoriza ninguém a completar o resto.
Depois, repare como Jesus começa: precisando, e recebendo de alguém que tinha todos os motivos sociais para evitar. Muitos de nós achamos mais fácil servir as pessoas do que ser ajudados por elas. João 4 não deixa quem dá a água viva pular a parte da sede.
Ser conhecido e ser exposto são coisas diferentes, e o capítulo mostra a diferença. Jesus diz a verdade sobre a vida dela e continua conversando. Ela vai embora para chamar os vizinhos.
A pergunta sobre o lugar da adoração não sumiu; hoje ela vem em forma de discussão sobre denominação, prédio e estilo. Jesus não chamou essas questões de bobagem. Disse que tinha chegado uma hora que as ultrapassaria.
E fica o cântaro. Os discípulos foram a Sicar resolver uma tarefa e não repararam em ninguém. A mulher foi buscar água, deixou o vaso junto à fonte e trouxe uma cidade. Dá para comprar pão num lugar durante anos sem levantar os olhos e ver quem já vem pelos campos na nossa direção.
Para refletir
- Quando conheço a história de alguém só por alto, com o que costumo preencher as lacunas? E por quê?
- Jesus começou pedindo ajuda a alguém que o povo dele mantinha a distância. De quem eu me recuso a receber qualquer coisa?
- Na minha própria vida, qual é a diferença entre ser exposto e ser conhecido?
- Que discussões sobre "o monte certo" ocupam mais a minha atenção do que Aquele que o Pai enviou?
- Os discípulos foram a Sicar comprar comida e voltaram sem ter reparado em ninguém. Onde eu faço minhas tarefas sem levantar os olhos?
Oração
Senhor Jesus, Tu te sentaste cansado e pediste água. Ensina-me a receber antes de me achar em condição de dar.
Onde contei a história dos outros com menos misericórdia do que os fatos permitiam, perdoa-me.
Conhece-me por inteiro, e dá-me da água que brota sozinha.
Amém.
Ela não disse que ele a condenou. Disse que ele lhe contou tudo quanto ela tinha feito, e foi chamar os vizinhos.
Fontes e notas
Consultado durante a escrita deste texto. Nada é listado aqui sem ter sido usado.
- Bíblia Livre (BLIVRE) texto primário
- SBL Greek New Testament, João 4 (Society of Biblical Literature e Logos Bible Software, 2010) texto primário
- The New Testament in the Original Greek: Byzantine Textform, ed. Maurice A. Robinson e William G. Pierpont, João 4:42 texto primário
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 9.288-291; 13.254-256; 18.29-30; 18.85-87; 20.118, tradução inglesa de William Whiston texto primário
- Flávio Josefo, Autobiografia (Vida) 269, tradução inglesa de William Whiston texto primário
- Mishná, Nidá 4:1 (Sefaria) texto primário
- Mishná, Micvaot 1:1-8 (Sefaria) texto primário
- Peregrino de Bordéus (333 d.C.), tradução inglesa de Andrew S. Jacobs texto primário
- Yitzhak Magen, "Gerizim, Mount", em The New Encyclopedia of Archaeological Excavations in the Holy Land (BAS Library) relatório de escavação
- Universidade de Leiden e Departamento Palestino de Antiguidades e Patrimônio Cultural, Tell Balata Archaeological Park relatório de escavação
- W. Ewing, "Sychar", International Standard Bible Encyclopedia, ed. James Orr estudo histórico
- David Daube, "Jesus and the Samaritan Woman: The Meaning of synchraomai", Journal of Biblical Literature 69 (1950): 137-147 estudo histórico
- Gary Manning, "Sharing Cups, Associating, or Getting Help? The Meaning of synchraomai in John 4.9", New Testament Studies 70.4 (2024): 520-530 estudo histórico
- Lynn H. Cohick, "Was the Samaritan Woman Really an Adulteress?", Christianity Today, outubro de 2015 estudo histórico
- Craig R. Koester, "The Savior of the World (John 4:42)", Journal of Biblical Literature 109 (1990): 665-680 estudo histórico
- Jona Lendering, "The Samaritan Prophet", Livius estudo histórico
- John Macdonald, The Theology of the Samaritans (Londres: SCM Press, 1964) estudo histórico
- Robert Alter, The Art of Biblical Narrative (Nova York: Basic Books, 1981), capítulo 3, sobre as cenas-tipo bíblicas estudo histórico
As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.