Devocional
As Coisas Passadas Também Eram Dele
Isaías manda os exilados esquecerem as coisas passadas. Dois versículos antes, ele diz quais são elas.
Texto bíblico Isaías 43:18–19 · Isaías 43:16–17 · Isaías 43:20–21
Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas; Eis que farei uma coisa nova, agora surgirá; por acaso não a reconhecereis? Pois porei um caminho no deserto, e rios na terra vazia.
Esta passagem já foi usada, com delicadeza e boa intenção, para dizer às pessoas que deixem o passado para trás. Esqueça o que aconteceu. Pare de olhar para trás.
Leia os dois versículos imediatamente anteriores e essa leitura desmorona.
O que são de fato as coisas passadas
Os versículos 16 e 17 descrevem o SENHOR que abre caminho no mar, uma vereda por águas impetuosas, que faz sair carro e cavalo e exército juntos e os deixa deitados, sem se levantarem, apagados como um pavio.
Isso é o êxodo. A abertura do mar. O ato que define Deus na memória de Israel, aquilo que toda festa reencenava e que cada geração recebia ordem de contar aos filhos.
E então, na frase seguinte: não vos lembreis das coisas passadas.
Ele não está falando dos seus arrependimentos. Está falando da própria obra mais registrada que já fez, e dizendo que ela está prestes a ser superada.
O que torna a promessa maior
Os exilados na Babilônia tinham exatamente uma categoria para resgate divino, e ela tinha quatrocentos anos. A esperança deles era de arquivo. Deus diz que a coisa nova será grande o bastante para que o parâmetro antigo deixe de servir.
Então ele dá a imagem, e ela é calibrada com precisão: um caminho no deserto, rios na terra vazia. No êxodo ele fez aparecer terra seca no meio da água. Agora fará aparecer água no meio da terra seca. O mesmo Deus, trabalhando na direção oposta, porque a necessidade é outra.
Para quem é a coisa nova
A frase não termina nos rios na terra vazia.
Os versículos 20 e 21 continuam: os animais do campo o honrarão, os chacais e os avestruzes, porque ele dá água no deserto para que beba o seu povo escolhido, o povo que formou para si, a fim de que anuncie o seu louvor.
A coisa nova é para um povo. Ela é coletiva antes de ser pessoal, e tem uma finalidade que vai além do alívio de quem a recebe.
Vale segurar isso quando uma passagem como esta é aplicada a um recomeço particular. A promessa não é que as suas circunstâncias vão melhorar. É que Deus continua agindo na história em favor de um povo que pretende reunir, e que quem recomeça está entrando de novo em algo bem maior do que a própria linha do tempo.
Recomeçar com honestidade
É por isso que esta passagem serve melhor para recomeços do que a versão sentimental.
Não lhe pedem que finja que ontem não aconteceu. Israel nunca esqueceu o êxodo; séculos depois ainda contava aquela história, e o próprio Isaías acabou de recontá-la. O que se pediu foi que parassem de usá-la como teto.
Se você está recomeçando algo, a forma honesta da esperança não é amnésia. É a recusa de supor que aquilo que Deus já fez por você seja o máximo que ele pretende fazer.
Não lhe pedem que apague a sua história. Pedem que você pare de tratar o último resgate como o maior disponível.
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