Uma eira circular vazia de terra batida ao entardecer, quase toda varrida, com uma forquilha de madeira encostada na borda.
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Devocional

Melhor o Fim do que o Princípio

Eclesiastes coloca uma afirmação estranha ao lado de uma comum, e a segunda metade explica a primeira.

Por Redação EmberKeeper 3 min de leitura

Texto bíblico Eclesiastes 7:8 · Eclesiastes 7:1–14

Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o arrogante de espírito.

As duas metades pertencem à mesma frase, e a segunda faz mais trabalho do que parece.

Coélet está no meio de uma sequência de provérbios ásperos. O luto é melhor que a festa. A repreensão do sábio é melhor que a canção dos tolos. Não é um trecho confortável da Escritura, e o versículo 8 não é exceção.

Não é promessa sobre resultados

A primeira parte é citada sozinha como consolo. No fim vai valer a pena. Aguenta, o final vai ser bom.

Não é bem isso que está escrito. Está escrito que o fim de uma coisa é melhor que o princípio dela, o que é uma afirmação sobre conhecimento antes de ser uma afirmação sobre felicidade. No começo você tem intenções, entusiasmo e uma história que conta a si mesmo. No fim você tem o que de fato aconteceu.

Os finais são melhores porque são verdadeiros. É outro tipo de consolo, e mais resistente.

Por que a paciência vem em seguida

Agora a segunda metade faz sentido. O paciente de espírito é melhor que o arrogante, porque a arrogância quer o veredito no começo.

A arrogância anuncia o que a coisa vai ser. Ela se compromete em público no início, quando o compromisso é barato e nada foi testado. A paciência aceita esperar o fim antes de dizer o que aquilo era, o que significa aceitar estar errada no intervalo e parecer insegura enquanto todo mundo soa convicto.

Quem já viu um começo promissor desabar, ou viu algo sem graça se revelar decisivo dez anos depois, sabe qual das duas o texto recomenda.

A companhia em que ele aparece

O versículo 8 não chega sozinho. Ele está numa sequência de comparações propositalmente incômodas.

O dia da morte é melhor que o do nascimento. É melhor ir à casa do luto do que à casa do banquete. A tristeza é melhor que o riso, porque o rosto triste faz bem ao coração.

Lidos como aforismos soltos, soam mórbidos. Lidos juntos, constroem um argumento só: as situações que evitamos são as que nos dizem a verdade, e as que procuramos são as que nos bajulam.

Alguns versículos adiante vem o contrapeso. No dia da prosperidade, alegra-te; no dia da adversidade, considera. Coélet não recomenda tristeza. Recomenda atenção, e acha que é na adversidade que a atenção de fato acontece.

Uma fase que se fecha

Se alguma coisa está terminando para você, este versículo não garante que o final seja agradável. Ele oferece outra coisa.

Agora você consegue ver o que aquilo era. Não o que você esperava no início, nem o que temeu no meio. O que era.

Vale ficar um tempo nisso em vez de passar correndo. Eclesiastes não se impressiona com quem corre de um começo para o outro justamente porque começos não exigem nada de você e não lhe dizem nada verdadeiro.

O fim das coisas é onde está o conhecimento. Recolha-o antes de começar a próxima.

As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.