Uma fonte rasa no deserto cercada de pedras, o chão em volta rachado e claro.
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Devocional

O Deus Que Me Vê

Uma escrava grávida foge para o deserto, e é ela quem dá um nome a Deus.

Por Redação EmberKeeper 3 min de leitura

Texto bíblico Gênesis 16:7–14 · Gênesis 16:8 · Gênesis 16:13

E o anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte que está no caminho de Sur.

Cada parte dessa frase merece atenção.

Agar é egípcia, e escrava, e está grávida, e está fugindo. O caminho de Sur corre para o sul e para o oeste, na direção do Egito. Ela não está vagando. Está voltando para casa, que é a única direção disponível para quem não tem lugar em nenhum outro canto.

E o verbo é achou. Ninguém nessa história está procurando por Deus. Ela procura água e uma fronteira. Ele a encontra.

A pergunta que ela responde pela metade

“Agar, serva de Sarai, de onde vens tu, e para onde vais?”

Repare que ele usa o nome dela. Nos versículos anteriores ela aparece quase sempre descrita pela função. Sarai fala sobre ela, não com ela, e a resposta de Abrão trata o caso como assunto doméstico a ser resolvido. Ali fora, sozinha, a primeira coisa que acontece é alguém dizer o nome dela.

Então ela responde, e responde só metade.

“Fujo de diante de Sarai, minha senhora.”

Ela sabe exatamente do que está fugindo. Não tem nada a dizer sobre para onde vai, porque não há o que dizer. É assim que a fuga se parece por dentro. O destino não é um plano; é apenas para longe.

O nome do menino

O anjo diz que ela terá um filho e entrega o nome a ser usado. Ismael, e Gênesis dá a razão em seguida: porque o SENHOR ouviu a tua aflição.

Não há registro, na cena anterior, de Agar tendo clamado. Ninguém anotou, e ninguém na casa parece ter percebido. O nome que ela deve dar ao filho é uma declaração permanente de que aquilo foi ouvido mesmo assim.

Cada vez que ela chamar o menino pelo nome, pelo resto da vida, estará dizendo isso.

O que não é suavizado

A honestidade exige dizer que essa passagem contém uma ordem dura. Ela é mandada voltar e se submeter. Gênesis não explica, não suaviza e não conta como ela se sentiu no caminho de volta.

É um texto sobre uma mulher com pouquíssimas opções sendo encontrada por Deus dentro da situação, e não retirada dela. Isso é incômodo, e fingir o contrário seria outro tipo de desonestidade.

Ela dá o nome

Então chega o momento para o qual o capítulo vinha caminhando.

Então chamou o nome do SENHOR que com ela falava: Tu és o Deus da vista; porque disse: Não vi também aqui ao que me vê?

Uma escrava estrangeira, sozinha no deserto, dá um nome a Deus. Ela não é patriarca. Não faz parte da linhagem da aliança. Não tem posição nenhuma na casa de onde está fugindo, e Gênesis registra que ela fez algo que nenhum dos homens dos capítulos vizinhos fez.

O nome que ela escolhe não fala de poder nem de santidade. Fala de atenção. Tu és o Deus que me vê.

Para hoje

Ser vista e ser resgatada não são a mesma coisa, e esse capítulo se recusa a confundir as duas. As circunstâncias de Agar não melhoram muito. Ela volta.

O que muda é que agora ela sabe algo que não sabia quando o dia começou: que no lugar onde era menos visível, ela vinha sendo objeto da atenção de alguém o tempo todo.

Se você está em algum lugar onde ninguém realmente olha, é essa a promessa disponível nesta passagem. Não necessariamente que a estrada vai virar. Que você foi encontrado nela.

Oração

Deus, tu viste a parte disso que ninguém mais olhou.

Onde eu estiver fugindo sem saber para onde, encontra-me ali.

Amém.

Perguntam para onde ela vai e ela não sabe responder. Mesmo assim é encontrada, pelo nome, numa fonte na estrada de saída.

As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.