Devocional
Creio, Senhor
Um pai pede ajuda sem conseguir esconder a dúvida, e diz a frase mais honesta do capítulo.
Texto bíblico Marcos 9:14–29 · Marcos 9:21–24
E perguntou ao seu pai: Quanto tempo há que isto lhe sobreveio? E ele lhe disse: Desde a infância.
Isso não é um detalhe clínico. É a medida de há quanto tempo esse homem convive com uma coisa, e explica tudo sobre o jeito como ele fala.
Ele já viu o filho ser lançado no fogo e na água. Pelo próprio relato, já tinha levado o menino aos discípulos, e eles não conseguiram ajudar. Ele chega a Jesus depois de ter se decepcionado com as pessoas que deveriam dar conta disso, e diz o que uma pessoa diz nesse ponto.
“Mas, se podes algo, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.”
A resposta que muda o eixo
Jesus responde: “Se podes crer, tudo é possível ao que crê.”
Repare no que aconteceu com a frase. O pai colocou a condição em Jesus: se tu podes. Jesus devolve a conversa para o lado de cá. A questão deixa de ser a capacidade dele e passa a ser a confiança do homem que está pedindo.
O que poderia facilmente encerrar o assunto. Um homem exausto acaba de ouvir que o fator limitante é a fé, e ele não está carregando muita.
O que ele de fato diz
Logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Creio, Senhor! Ajuda-me na minha incredulidade.
Ele não afirma ter mais do que tem. Não encena convicção, e também não vai embora. Diz as duas coisas verdadeiras sobre si ao mesmo tempo, numa frase só, com a palavra ajuda fazendo trabalho duplo. Ajuda o meu filho. Ajuda a parte de mim que não está dando conta.
Vale reparar no que ele pede. Ele acabou de ouvir que tudo é possível ao que crê e, em vez de fabricar fé, pede que Jesus forneça a fé. Ele trata a própria crença como mais uma coisa com a qual precisa de ajuda, e não como o ingresso de entrada.
O menino é curado
É essa a parte que resolve a passagem.
Jesus não o manda embora para trabalhar a própria confiança. Não existe um intervalo em que o pai melhora. A cura vem em seguida, sustentada por um pedido que veio embrulhado numa confissão de dúvida.
Isso importa por causa de como a fé costuma ser descrita: uma quantidade que a pessoa tem ou não tem em volume suficiente, com resultados atrelados. Marcos conta a história de outro jeito. A fé do pai é realmente misturada, ele diz isso em voz alta, e ela basta por causa de a quem ele a levou.
Para hoje
Se você vem adiando orar sobre alguma coisa até conseguir fazer isso com mais convicção, essa é a passagem que retira a exigência.
O homem de Marcos 9 não resolveu a dúvida primeiro. Disse a verdade sobre si mesmo, que era crer e não crer ao mesmo tempo, e pediu ajuda para as duas coisas. Não é uma oração menor. É a que o capítulo registrou.
Ele carregava aquilo desde que o menino era pequeno, e continuava ali, ainda pedindo, ainda sem certeza. Leve o que você realmente tem.
Oração
Deus, eu creio. E também não creio, em lugares que eu preferiria não te mostrar.
Ajuda-me ali, e não esperes eu resolver isso primeiro.
Amém.
Ele pede ajuda justamente com aquilo que deveria ter trazido. Jesus não o manda embora para resolver isso antes.
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