Devocional
Um Punhado de Farinha
Deus diz a Elias que mandou uma viúva sustentá-lo. Quando ele a encontra, ela está juntando gravetos para preparar a última refeição.
Texto bíblico 1 Reis 17:8–16 · 1 Reis 16:31 · Lucas 4:25–26
Levanta-te, vai-te a Sarepta de Sidom, e ali morarás: eis que eu mandei ali a uma mulher viúva que te sustente.
Parece um arranjo combinado. Um profeta em tempo de fome sendo enviado a alguém que recebeu a ordem de cuidar dele.
Então Elias chega à porta da cidade, e a mulher que ele encontra está colhendo gravetos.
Para onde ele foi mandado
Vale parar em Sarepta de Sidom. Um capítulo antes, 1 Reis conta que o rei Acabe tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e passou a servir a Baal. A seca que Elias anunciou tem esse reino como alvo. E Deus manda o seu profeta se abrigar não num canto fiel de Israel, mas no território de origem da rainha que queria vê-lo morto.
Jesus retoma esse detalhe em Lucas 4. Havia muitas viúvas em Israel nos dias da fome, ele diz, mas a nenhuma delas Elias foi enviado, a não ser a uma mulher viúva de Sarepta de Sidom.
A mulher que deveria sustentar
Elias pede um pouco de água. Enquanto ela vai buscar, ele a chama de novo e pede também um bocado de pão.
A resposta dela é uma das frases mais expostas do livro. Vive o SENHOR Deus teu, que não tenho pão cozido; somente um punhado de farinha no jarro, e um pouco de azeite numa botija. Ela ia preparar isso para si e para o filho, comer, e depois morrer.
Repare em duas coisas. Ela jura pelo SENHOR Deus teu, não pelo seu; é uma estrangeira falando do Deus de Israel. E nada no que ela diz sugere que saiba que recebeu alguma ordem de sustentar alguém. Deus disse que tinha mandado uma viúva sustentar o profeta. A viúva que ele escolheu não tem mais com o que sustentar ninguém.
Faze-me primeiro
A resposta de Elias soa absurda numa leitura rápida. Não tenhas temor. Faze-me a mim primeiro uma pequena torta cozida debaixo da cinza, e traze-a a mim; e depois farás para ti e para teu filho.
Ele não está pedindo que ela tire a comida do filho e pare por aí. O pedido vem com uma palavra de Deus junto: o jarro da farinha não esvaziará, nem se diminuirá a botija do azeite, até aquele dia que o SENHOR dará chuva sobre a face da terra.
Ou seja, ela precisa assar a primeira torta confiando numa promessa, sem nenhuma prova ainda de que a promessa vale.
Ela assa. E comem ele, ela e a casa dela, muitos dias.
O que foi, de fato, o milagre
Leia o versículo 16 com cuidado, porque ele é mais modesto do que a versão que a gente costuma guardar na memória. O jarro da farinha não esvaziou, nem minguou a botija do azeite.
Não diz que o jarro encheu. Não há imagem de barris transbordando. O mesmo punhado estava lá toda manhã, suficiente para aquele dia, enquanto durou a seca.
É um tipo de provisão mais difícil de viver do que a fartura. Ela nunca deixa você se adiantar. Todo dia você raspa o fundo do jarro, todo dia há exatamente o suficiente, e nunca aparece o alívio de uma despensa cheia.
Para hoje
Algumas fases parecem assim por dentro. Os recursos existem, mas são poucos: um punhado de energia, um pouco de paciência, dinheiro contado até sexta-feira. O medo é o medo da viúva, de que este seja o último.
A passagem não promete que o jarro vai encher. Mostra um Deus que mantém um punhado lá dentro, um dia de cada vez; que mandou o seu profeta para a casa menos provável, no país mais hostil; e que pediu a uma mulher com quase nada que repartisse um pouco primeiro.
Ela assou a torta antes de ver qualquer coisa. A maioria de nós é chamada a fazer o mesmo com o que sobrou no jarro nesta manhã.
Oração
Deus, o que tenho no jarro hoje parece ser o último punhado.
Dá o suficiente para este dia, e a coragem de repartir um pouco assim mesmo.
Amém.
A farinha nunca passou de um punhado. Foi um punhado toda manhã, enquanto durou a seca.
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