Folhas largas de figueira, empoeiradas e murchas sob o calor forte do meio-dia, com as primeiras gotas grossas de chuva escurecendo a poeira.
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Devocional

Enquanto Fiquei Calado

O Salmo 32 conta o que esconder um pecado fez com um homem, corpo inclusive, e como era curta a distância entre dizer e ser perdoado.

Por Redação EmberKeeper 4 min de leitura

Texto bíblico Salmos 32:1–5 · Salmos 32:7 · Romanos 4:6–8 · João 9:1–3 · Tiago 5:16

Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é encoberto.

O salmo começa pelo fim. Antes de saber o que deu errado, a gente fica sabendo como é estar do outro lado. O título atribui o salmo a Davi, e Paulo cita essas primeiras linhas em Romanos 4 como palavras de Davi. O próprio salmo nunca diz qual foi o pecado, e isso deixa bastante espaço para o resto de nós.

O que o silêncio fez

Enquanto fiquei calado, meus ossos ficaram cada vez mais fracos com meu gemido pelo dia todo. Porque de dia e de noite tua mão pesava sobre mim; meu humor ficou seco como no verão.

A primeira frase tem uma contradição, e ela é a coisa mais honesta do salmo. Ele ficou calado e gemeu o dia inteiro. Não havia silêncio nenhum. Só faltava dizer a única coisa que importava.

Pecado escondido raramente parece um segredo guardado em paz. Parece mais um ruído baixo que nunca desliga. E o salmista fala disso em termos do corpo: ossos cada vez mais fracos, e um “humor” que seca como no verão. A palavra aqui não é o humor de estar de bom ou mau humor. É o sentido antigo, ainda vivo na medicina, dos líquidos do corpo, a seiva de uma pessoa. A imagem é de planta murchando no calor. E isso acontecia de dia e de noite. Não havia troca de turno.

Ele também diz de onde vinha o peso: “tua mão pesava sobre mim”. Não trata aquilo como um mal-estar de consciência a ser administrado. Era Deus não deixando que ele se acomodasse no esconderijo errado. É uma bondade dura, mas é bondade. A pressão empurrava para a única saída.

Um cuidado

Este é o relato de um homem. Não é um manual de diagnóstico. Nem toda dor, noite sem sono ou depressão longa vem de pecado não confessado, e a própria Escritura resiste a essa conclusão. Quando os discípulos perguntaram a Jesus quem tinha pecado para aquele homem nascer cego, ele respondeu: “Nem este pecou, nem seus pais.”

Então, se você anda esgotado, o Salmo 32 não está acusando você. Ele levanta uma pergunta justa, que dá para fazer sem pânico: existe alguma coisa sobre a qual eu estou calado?

Quem encobre

Eu reconheci meu pecado a ti, e não escondi minha maldade. Eu disse: Confessarei ao SENHOR minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado.

A Bíblia Livre usa “encoberto” no versículo 1 e “não escondi” no versículo 5. No hebraico, é o mesmo verbo nos dois lugares, e o salmo gira em torno dele. Enquanto o salmista encobria o pecado, o pecado continuava em cima dele. Quando parou de encobrir, Deus encobriu.

Tem uma segunda coincidência. O verbo por trás de “perdoada” no versículo 1 e de “perdoaste” no versículo 5 é um verbo hebraico comum para levantar ou carregar. Para quem acabou de descrever uma mão pesando sobre si dia e noite, isso não é detalhe.

Como é curta a distância

Repare na ordem do versículo 5. “Eu disse: Confessarei ao SENHOR minhas transgressões; e tu perdoaste.” Não existe um período de espera no meio, nenhum prazo para provar que ele estava falando sério. A decisão de falar e o perdão estão na mesma linha.

Depois vem “Selá”, uma palavra cujo sentido exato ninguém conhece. Ela aparece também depois da mão pesada, no versículo 4. Seja o que for que ela indicava, tanto o peso quanto o alívio ficaram marcados como lugares de parar.

O versículo 2 já tinha descrito o bem-aventurado: aquele “em cujo espírito não há engano”. O salmo inteiro pressupõe pecado. O que ele chama de bem-aventurada é a pessoa que parou de mentir sobre isso.

Para hoje

A confissão no Salmo 32 é específica. Meu pecado. Minha maldade. Minhas transgressões. Frases genéricas como “ninguém é perfeito” são verdadeiras, e também podem ser um jeito de continuar calado parecendo que se está falando. Diga o que é.

Diga primeiro a Deus. Para algumas coisas, Tiago acrescenta outro passo: “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sejais curados.” Contar a um irmão ou irmã de confiança pode ser o momento em que o silêncio finalmente se quebra.

Depois leve o versículo 5 a sério. Nada ali diz que ele precisou se sentir forte de novo, ou sentir qualquer coisa específica, antes de ser perdoado.

Poucas linhas adiante, o homem que vivia escondendo diz a Deus: “Tu és meu esconderijo.”

Para refletir

  • Existe alguma coisa sobre a qual eu tenho ficado calado, enquanto reclamo de tudo em volta dela?
  • Como seria dizer isso a Deus numa frase simples, com o nome certo?

Oração

Senhor, tu já sabes o que eu venho escondendo. Eu reconheço isso diante de ti agora, pelo nome.

Encobre o que eu parar de esconder, e sê tu o meu esconderijo.

Amém.

Enquanto ele escondia o pecado, o pecado pesava sobre ele. Quando parou de esconder, Deus o encobriu.

As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.