Num cômodo romano do primeiro século iluminado por lamparina, uma pessoa abre espaço enquanto outra é acolhida, com comida simples ao lado e o reboco em sombra livre no canto inferior esquerdo.
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Devocional

Consciência Diante do Senhor

Em Romanos 14, convicções reais sobre comida e dias começam a ferir irmãos, até Paulo lembrar que o Senhor já recebeu quem ainda não entendemos.

Por Redação EmberKeeper 5 min de leitura

Texto bíblico Romanos 14:1–9

“Cada um mantenha certeza em sua própria mente.”

Paulo não trata a consciência como opinião leve, dessas que mudam conforme o humor da sala. Em Romanos 14, há irmãos tomando decisões diante de Deus sobre a mesa e o calendário. Alguns se sentem livres. Outros se sentem obrigados a se abster. A diferença é real, e Paulo não começa mandando todo mundo fingir que ela não existe.

Ele começa assim: “Recebei a quem for fraco na fé, mas não para envolvê-lo em temas controversos.” Receber alguém não é trazê-lo para perto como alvo de correção permanente. Também não é transformar a comunhão cristã numa sala de debate onde o mais seguro vence o mais sensível.

A mesa e os dias

A questão aparece em coisas comuns. “Um crê que pode comer de tudo, e outro, que é fraco, come somente vegetais.” Depois, Paulo acrescenta: “Um faz diferença entre um dia e outro; porém outro considera iguais todos os dias.” Para nós, essas questões podem parecer distantes. Para eles, tocavam a obediência, a pureza, a memória religiosa e a vida compartilhada.

É nesse tipo de diferença que a consciência costuma ficar impaciente. Quem se sente livre pode olhar para o irmão cuidadoso e enxergar atraso, medo ou legalismo. Quem se sente obrigado pode olhar para o irmão livre e enxergar descuido, mundanismo ou desobediência. A convicção, quando perde a humildade, aprende depressa a desprezar. O zelo, quando perde a confiança em Deus, aprende depressa a julgar.

Paulo nomeia os dois perigos na mesma frase: “O que come não despreze o que não come, e o que não come não julgue o que come, porque Deus o aceitou.” O livre não tem licença para tratar o cuidadoso como alguém pequeno. O cuidadoso não tem autoridade para condenar o livre como se Deus ainda estivesse esperando sua aprovação.

A parte final da frase pesa muito. Antes que o irmão rigoroso tenha resolvido todas as suas perguntas sobre a liberdade do outro, Deus já o aceitou. O texto fala primeiro do que come, que estava sendo julgado. Mas o argumento inteiro também chama o que come a receber o fraco na fé. A comunhão cristã começa antes da nossa compreensão completa do outro.

O servo não é nosso

Paulo aperta a pergunta: “Quem és tu para julgares o servo alheio?” A imagem é simples. O irmão não pertence a mim. Sua consciência não está no meu bolso. Sua obediência não passa pelo meu tribunal.

Isso não significa que toda prática seja boa, nem que a igreja nunca deva corrigir pecado. O próprio Paulo corrige muita coisa em suas cartas. Aqui, porém, ele está falando de irmãos que desejam honrar o Senhor e chegam a práticas diferentes em assuntos controversos. Nessa situação, antes de tentar vencer o argumento, preciso lembrar a quem essa pessoa pertence.

“É ao seu próprio senhor que ele fica firme ou cai.” Paulo não deixa o irmão suspenso, como se a diferença fosse um precipício inevitável. Ele acrescenta: “E ele ficará firme, porque Deus é poderoso para o firmar.” Há uma confiança em Deus que precisa aparecer quando não conseguimos controlar a consciência de todos ao nosso redor.

O versículo 6 mostra algo bonito, e talvez desconfortável. “O que come, come para o Senhor, porque dá graças a Deus; e o que não come, deixa de comer para o Senhor, e dá graças a Deus.” Dois comportamentos opostos podem estar acompanhados da mesma intenção: honrar o Senhor com gratidão. A diferença não some. A gratidão muda o modo como olhamos para ela.

Sem gratidão, a convicção pode ficar áspera, a liberdade pode ficar vaidosa, e a abstinência pode se tornar acusadora. Quando a ação é feita diante do Senhor, com ação de graças, ela se afasta da performance religiosa e se aproxima da adoração.

Então Paulo chega ao centro: “Pois nenhum de nós vive para si mesmo; e nenhum morre para si mesmo.” A vida cristã não é propriedade particular, nem mesmo nas decisões que acontecem dentro da nossa própria mente. “Portanto, quer vivamos, quer morramos, do Senhor somos.”

Paulo não termina no temperamento de cada um, nem na capacidade humana de conviver com diferenças. Ele termina em Cristo: “Pois para isto Cristo também morreu, ressuscitou, e voltou a viver, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos.” O Senhorio de Cristo é maior que a minha liberdade e maior que o meu cuidado. Ele morreu e voltou a viver para governar irmãos que ainda não enxergam tudo do mesmo modo.

Hoje, antes de entrar numa discussão sobre o que outro cristão deveria permitir ou evitar, vale demorar um pouco nessa pergunta: essa pessoa está buscando agir diante do Senhor? Se estiver, trate-a como alguém que pertence a Cristo antes de tratá-la como alguém que precisa entender você.

Para refletir

  • Em qual área da vida cristã eu tenho tratado uma convicção legítima como motivo para desprezar ou julgar um irmão que deseja honrar o Senhor?
  • Antes de entrar numa discussão esta semana, que sinais de gratidão e pertencimento ao Senhor eu preciso procurar no outro?

Oração

Senhor Jesus, guarda minha consciência limpa sem deixar meu coração duro.

Ensina-me a receber quem tu recebeste e a obedecer diante de ti com gratidão.

Amém.

A consciência cristã pertence ao Senhor que morreu e voltou a viver para governar os seus.

Fontes e notas

Consultado durante a escrita deste texto. Nada é listado aqui sem ter sido usado.

As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.