Vista de perto numa viela empoeirada e cheia de gente do primeiro século: a mão magra de uma mulher passando entre corpos em movimento na direção da franja amarrada na borda da capa de lã simples de um viajante.
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Devocional

Alguém Me Tocou

Uma menina está morrendo, e Jesus para a multidão inteira para encontrar a mulher que queria sair sem ser vista. Diante de todos, ele a chama de filha.

Por Redação EmberKeeper 4 min de leitura

Texto bíblico Lucas 8:42–48 · Lucas 8:49–55 · Marcos 5:26 · Levítico 15:25–27 · Mateus 23:5 · Lucas 7:50

E enquanto ele ia, as multidões o apertavam.

Ele ia com Jairo, chefe da sinagoga, que tinha acabado de se prostrar aos pés de Jesus diante da multidão que esperava por ele. Jairo “tinha uma filha única, com doze anos de idade, que estava a ponto de morrer”. Não existe pressa maior do que essa. Todo mundo na rua sabe para onde Jesus está indo, e todo mundo sabe que ele precisa chegar logo.

Então Lucas apresenta “uma mulher que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos”.

Doze anos. O tempo de vida da filha de Jairo. Lucas coloca os dois números lado a lado e deixa a gente perceber.

O que custam doze anos

Ela “já tinha gastado todos os seus pertences com médicos, e não pôde ser curada por nenhum”. Marcos acrescenta que, em vez de melhorar, ela piorava.

Lucas não fala nada de impureza religiosa, e é fácil exagerar esse ponto. Mas, pela lei de Levítico 15, a mulher com fluxo de sangue fora do tempo costumeiro ficava impura enquanto ele durasse, e também a cama onde dormia e o móvel onde se sentava. Seja o que for que isso significava no dia a dia, ela viveu assim doze anos, e o dinheiro tinha acabado.

“Ela se aproximou de Jesus por detrás, e tocou a borda de sua roupa; e logo o fluxo de seu sangue parou.”

A palavra grega que Lucas usa para “borda” é a mesma que Mateus usa para as franjas que alguns faziam compridas para serem vistos. Pode ser que ela tenha buscado a franja no canto da capa. Pode ser só a beirada da roupa. De qualquer modo, ela veio por trás, tocou o mínimo possível e pretendia sumir antes que alguém percebesse.

Jesus para

“Quem me tocou?”

Todos negavam. Pedro e os que estavam com ele dizem o óbvio: “Mestre, as multidões te apertam e empurram, e dizes: Quem me tocou?” Dezenas de pessoas tinham esbarrado nele no último minuto.

Jesus não aceita a resposta. “Alguém me tocou, pois sei que poder saiu de mim.”

É aqui que a história fica estranha. Ela já está curada. O versículo 44 diz: logo. Não falta mais nada para o corpo dela. E há um pai ao lado de Jesus cuja filha está morrendo enquanto eles esperam. Cada segundo dessa procura é tirado de Jairo.

Lucas não diz por que Jesus insistiu. Diz o que a parada produziu.

“Então a mulher, vendo que não podia se esconder, veio tremendo, prostrou-se diante dele, e declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que o havia tocado, e como logo havia sarado.”

A cura tinha acontecido em segredo. Agora a rua inteira ouve a história da boca dela. As pessoas que a conheciam, e talvez soubessem manter distância, agora sabem que ela está sã.

“Filha”

“Tem bom ânimo, filha; a tua fé te sarou; vai em paz.”

Ela chegou tremendo, e a primeira coisa que Jesus lhe diz é “tem bom ânimo”. Depois, “filha”. Em todos os Evangelhos, este é o único encontro em que Jesus se dirige a alguém diretamente como “filha”. Ele diz isso em público, a uma mulher sem família mencionada e sem mais nada, enquanto o pai de uma filha à morte está perto o bastante para ouvir.

“A tua fé te sarou” traz o mesmo verbo grego que Lucas usou um capítulo antes, quando Jesus disse a outra mulher, na casa de um fariseu: “A tua fé te salvou.” O verbo cobre as duas coisas. O corpo dela tinha sarado no toque. O que Jesus acrescenta é um nome, paz e um lugar.

A menina continuava esperando

“Estando ele ainda falando, veio um da casa do chefe da sinagoga, que lhe disse: Tua filha já está morta, não incomodes o Mestre.”

É difícil ler isso sem pensar que a parada custou caro. Jesus ouve e responde a Jairo: “Não temas; crê somente, e ela será curada.” No grego, o verbo é o mesmo outra vez. A filha da rua e a filha da casa estão presas na mesma palavra.

Poucos versículos depois, Jesus segura a mão da menina: “Levanta-te, menina.”

Para hoje

Alguns de nós somos a mulher. Queremos a ajuda sem a atenção. Jesus parece querer mais do que isso para nós. Ele quer que sejamos conhecidos.

Outros somos Jairo, parados na rua enquanto Deus parece ocupado com outra pessoa, recebendo uma notícia que soa definitiva. A história não suaviza esse momento. Só diz que Jesus ouviu, se voltou para ele e continuou andando em direção à casa.

Para refletir

  • Existe alguma coisa que Deus fez por mim e que eu guardei em silêncio, querendo receber a ajuda e voltar para o meio da multidão sem ser notado?
  • Estou esperando em Deus agora, como Jairo, enquanto ele parece estar ocupado com outra pessoa?

Oração

Jesus, no meio de tanta gente te apertando, tu sentiste o toque que importava. Tu conheces o meu.

Não me deixes sumir sem ser visto. Chama-me do jeito que chamaste aquela mulher, e dá-me paz enquanto espero o que ainda não chegou.

Amém.

O corpo dela foi curado em segredo. Jesus não a deixou ir embora antes de chamá-la, em público, de filha.

As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.