Ó minha inimiga, não te alegres de mim; pois ainda que tenha caído, eu me levantarei; ainda que eu esteja assentado em trevas, o SENHOR será minha luz.
Quem fala é uma cidade, não uma pessoa, e o versículo seguinte admite que a queda foi merecida.
A reflexão de hoje
“Ainda que eu caia, eu me levanto” já teve uma longa carreira como slogan, e o slogan quase não tem relação com o versículo.
Duas coisas somem. A primeira é quem fala. A voz aqui não é a de um indivíduo passando por um ano ruim. É uma cidade personificada, e a inimiga a quem ela se dirige está no feminino, uma nação hostil assistindo à queda de uma rival. Miqueias passou os versículos anteriores descrevendo como esse colapso é por dentro: ninguém confiável, filho tratando o pai com desprezo, os inimigos de um homem dentro da própria casa.
A segunda é a frase logo em seguida. Versículo 9: suportarei a indignação do SENHOR, porque pequei contra ele.
É essa a diferença entre isto e um cartaz motivacional. A confiança do versículo 8 não é desafio. Vem de quem acabou de concordar que a queda foi merecida e que a escuridão é juízo. Ela não afirma que a inimiga errou em vencer. Afirma que o Deus que permitiu aquilo não terminou.
É uma esperança mais estranha e mais firme. Não exige que você defenda a sua ficha. Sobrevive à admissão de que você mesmo causou aquilo, porque se apoia na intenção de Deus e não na sua inocência.
A frase sobre a escuridão tem o mesmo formato. Não é “a escuridão vai passar”, e sim “o SENHOR será minha luz” enquanto eu estiver sentado nela. Miqueias não promete que o sentar acabe logo.
Para quem está numa situação que é de fato culpa sua, este é um dos poucos versículos que continua útil sem pedir que você finja o contrário.
Por que esta passagem
Contexto verificado: seção final de Miqueias, depois de 7:1-6 lamentar o colapso social completo, filho contra pai, inimigos dentro de casa. Quem fala é Sião personificada e a inimiga está no feminino, uma nação hostil. O versículo 9 admite em seguida "pequei contra ele" e que ela precisa suportar a indignação do SENHOR. Citado sozinho, vira slogan de superação, o que apaga tanto a voz coletiva quanto a confissão.
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