E te lembrarás de todo o caminho por onde te trouxe o SENHOR teu Deus estes quarenta anos no deserto, para afligir-te, para provar-te, para saber o que estava em teu coração, se havias de guardar ou não seus mandamentos.
O verdadeiro alvo do capítulo é o que os celeiros cheios farão com a memória deles depois que o deserto acabar.
A reflexão de hoje
Este não é um versículo para o meio da dificuldade. É um versículo para depois dela.
Moisés fala na fronteira da terra. O deserto ficou para trás. À frente estão casas que eles não construíram, poços que não cavaram, vinhas que não plantaram. O capítulo diz isso poucos versículos adiante, e então diz aquilo que veio dizer: quando tiveres comido e estiveres satisfeito, cuidado para não esquecer.
Ou seja, a ordem de lembrar os quarenta anos é dirigida a pessoas prestes a ficar confortáveis. O perigo que o capítulo nomeia não é a privação. É uma frase que ele coloca na boca deles no versículo 17: o meu poder e a força da minha mão me adquiriram esta riqueza.
Isso muda o destinatário. Não é, em primeiro lugar, consolo para quem atravessa um período duro. É aviso para quem saiu dele e começou a narrar aquilo como conquista pessoal.
Há aqui uma oração que dá trabalho aos intérpretes. Deus os conduziu para “saber o que estava em teu coração”. Seja lá o que signifique Deus vir a saber algo, o texto aceita dizer que o deserto revelou, e não apenas castigou. Quarenta anos trouxeram à superfície o que já estava ali.
O peso prático cai sobre a memória, que é disciplina e não estado de espírito. Israel recebe a ordem de lembrar o caminho, inclusive as partes que o humilharam. Quem está bem não faz isso naturalmente. Precisa ser mandado, e por isso é.
Por que esta passagem
Contexto verificado: Moisés nas planícies de Moabe, dirigindo-se à segunda geração antes da entrada. Conduz ao maná e ao "nem só de pão viverá o homem", e depois ao aviso do capítulo contra dizer "o meu poder e a força da minha mão me adquiriram esta riqueza". Costuma ser reembalado como consolo para uma fase difícil, o que aponta o texto para trás.
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