E diziam um ao outro: Por acaso não estava nosso coração ardendo em nós, quando ele falava conosco pelo caminho, e quando nos desvendava as Escrituras?
Eles dizem isso depois de reconhecê-lo, e enquanto o coração ardia não faziam ideia de quem era.
A reflexão de hoje
O detalhe que todo mundo pula é o tempo verbal.
Eles dizem isso depois. Durante a caminhada, enquanto o coração ardia, não sabiam quem ele era. Lucas é explícito: os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. O calor e o reconhecimento não são o mesmo acontecimento, e o calor veio primeiro sem se explicar.
Isso deveria frear quem usa o sentimento como teste. Aqueles dois tiveram a experiência mais forte do capítulo e não conseguiram identificar a causa enquanto ela acontecia. Só entenderam olhando para trás, e só depois que outra coisa aconteceu à mesa.
Repare também no que produziu o ardor. Não foi uma aparição. Não foi um milagre. Um desconhecido caminhou com eles e percorreu Moisés e os Profetas, mostrando como os textos que eles já tinham apontavam para onde eles não tinham enxergado. O ardor veio da exposição das Escrituras.
Vale segurar mais um dado: eles estavam saindo de Jerusalém. Já tinham ouvido o relato das mulheres e mesmo assim estavam indo embora. Seja o que for esta história, não é sobre gente com a fé em ordem.
Existe um jeito de viver a fé que corre atrás do ardor e trata a Escritura como a parte seca do caminho. Lucas inverte isso. A estrada, o texto e um desconhecido que eles não identificaram. O coração entendeu depois.
Eles voltaram na mesma hora, onze quilômetros, no escuro. Reconhecer costuma custar alguma logística.
Por que esta passagem
Contexto verificado: dia da ressurreição, estrada de Emaús. O Jesus não reconhecido expõe Moisés e os Profetas a respeito de si em 24:27; o reconhecimento vem no partir do pão e ele desaparece; a frase é dita depois disso. Costuma-se usá-la para fazer do calor emocional o teste de um encontro verdadeiro, coisa que a passagem justamente desmente.
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