É pelas bondades do SENHOR que não somos consumidos, porque suas misericórdias não têm fim. Elas são novas a cada manhã; grande é a tua fidelidade.
Isso está no centro de um poema sobre uma cidade destruída, e é o que faz dele esperança, e não enfeite.
A reflexão de hoje
Antes desta frase, o mesmo homem diz que Deus o cercou com muros, quebrou seus ossos, encheu-o de amargura e o fez habitar em trevas. São vinte versículos disso. Ele não está descrevendo uma semana difícil. Está descrevendo uma cidade destruída e uma vida desmontada, e aponta Deus como quem fez aquilo.
Então vem o versículo 21: isto trago à memória, por isso tenho esperança.
O jeito como esses dois versículos costumam ser impressos esconde justamente essa virada. As palavras aparecem numa caneca, sobre a foto de um amanhecer, como se descrevessem a sensação da manhã. No poema não é nada disso. São uma decisão tomada contra a evidência, por alguém que acabou de gastar uma seção inteira do acróstico listando essa evidência.
“Novas a cada manhã” não é uma observação sobre manhãs. É uma afirmação sobre o que precisa ser verdade para ele ainda estar vivo para ver uma. A lógica corre de trás para frente, a partir da sobrevivência: não fomos consumidos, logo as misericórdias não acabaram.
É uma frase mais dura e mais útil do que a versão decorativa. Ela não exige que você sinta a manhã como novidade. Exige que você repare que ainda está aqui.
Lamentações não se resolve. O livro termina em pergunta e em súplica sem resposta. Quem colocou este poema no centro dele não estava oferecendo conclusão. Estava mostrando como é dizer algo verdadeiro sobre Deus de dentro de uma ruína, sem fingir que a ruína não está ali.
Por que esta passagem
Contexto verificado: é a dobradiça do poema acróstico central, logo depois de vinte versículos em que o próprio autor se descreve caçado e quebrado pela mão de Deus, e depois de 3:21, "isto trago à memória, por isso tenho esperança". É o texto mais decorado do conjunto, por isso a reflexão começa pelos escombros.
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