Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento. De maneira que nem o que planta é algo, nem o que rega; mas sim Deus, que dá o crescimento.
Paulo põe o plantador e o regador no mesmo nível baixo para que uma igreja fascinada por nomes volte a perceber de onde vem a vida.
A reflexão de hoje
Corinto não precisava de mais um nome para levantar. A carta já contou o problema: a igreja tinha graça e dons, mas também brigas. Pessoas se reconheciam pelo obreiro que preferiam. No capítulo 3, Paulo põe seu próprio nome no chão junto com o de Apolo.
Ele não está ensinando um segredo de produtividade espiritual. Está curando uma vaidade de igreja. Antes de falar do plantio, ele pergunta: “Ora, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão servidores, pelos quais crestes, conforme o Senhor deu a cada um?” Servidores importam. Deus os usa. Paulo plantou, Apolo regou; ninguém aqui é acusado de inutilidade. O próprio texto honra o trabalho real: “Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento.”
A frase seguinte aperta a mão que quer segurar prestígio: “De maneira que nem o que planta é algo, nem o que rega; mas sim Deus, que dá o crescimento.” Paulo não diminui o ministério para desprezar pessoas. Ele diminui a pose para salvar a igreja da idolatria elegante, aquela que fala de líderes, estilos e histórias preferidas como se fossem o coração da fé.
Isso alcança uma terça-feira comum. Você pode fazer uma conversa honesta, preparar uma aula, servir um filho cansado ou enviar uma mensagem necessária. Tudo isso é plantio e rega. O crescimento, a vida que pega raiz onde você não consegue tocar, continua pertencendo a Deus.
E quando alguém que você admira ajudou muito a sua fé, dê graças sem entregar a essa pessoa o lugar que ela não pode carregar. Mais adiante Paulo dirá: “Portanto ninguém se orgulhe em seres humanos”. Quem dá crescimento não precisa virar bandeira.
Por que esta passagem
Contexto verificado: 1 Coríntios 3:6–7 pertence ao argumento iniciado em 1:10, quando Paulo pede que não haja divisões entre os coríntios. O relatório vem da casa de Cloé, com brigas na comunidade, e os nomes de Paulo e Apolo aparecem como marcas de partido. Em 3:1–4, a inveja, as brigas e as divisões são sinal de imaturidade, não de espiritualidade. Em 3:5, Paulo chama a si mesmo e Apolo de servidores por meio dos quais os coríntios creram, conforme o Senhor deu a cada um. A imagem agrícola de plantar e regar segue para a imagem do edifício e do templo em 3:9–17. Assim, crescimento não é técnica ministerial, mas ação de Deus no meio de uma igreja tentada a se orgulhar em seres humanos.
As Escrituras em português são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles. Licença Creative Commons Atribuição 4.0.